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Como ser mais cabeça aberta e alimentar sua criatividade

Por 12 de fevereiro de 2019Dicas e Tutoriais
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Quando ouço o termo cabeça aberta a primeira imagem que vem na minha mente é de um hippie no festival de Woodstock fazendo o sinal de 2 com os dedos. A vibe que surgiu com a contracultura nos anos 60 se tornou um marco na história, tendo um efeito duradouro até os dias de hoje em áreas como a filosofia, moral, música, arte, medicina alternativa, dietas, estilo de vida e moda. E o que fez com que esse movimento chegasse a esse ponto foi a quebra de regras sociais pré-estabelecidas. O pensar fora da caixa, o entender que talvez o mundo não precisava ser daquele jeito pra sempre.

O contexto histórico que embalou a explosão da contracultura e fez pipocar cabeça aberta por todos os cantos teve elementos como a Guerra Fria, a Guerra do Vietnam, o assassinato do Presidente Kennedy e o movimento dos direitos civis contra a segregação racial nos EUA. Era muita incerteza e muita coisa acontecendo ao mesmo tempo que desagradou a população mais jovem do mundo. O sentimento geral dessa galera é de que devia haver outro jeito de lidar com os problemas do planeta. Flores se tornaram armas, paz e amor se tornaram combustíveis de mudança, e o mundo nunca mais foi o mesmo.

Cadê a Paola?!

Mas aí é que tá. Será que é necessário um drama pesado acontecer pra despertar esse pensar diferente em cada pessoa e em até comunidades inteiras? Será que ser cabeça aberta só se aplica em circunstâncias extremas e só vem pra quem é fã de sexo, drogas e rock’n’roll? Tô pra te dizer que não. E, o melhor de tudo, ainda que você não tenha nascido já pensando fora da caixa, se você quiser você pode chegar lá.

Não tô falando aqui da gente dar a louca, depor o presidente, ir prum sítio no meio do nada e fazer um festival de música durar 4 dias. Tô falando dos benefícios que você pode ter na sua vida como profissional criativo só pelo fato de aceitar que, talvez, o mundo não precisa ser desse mesmo jeito pra sempre. Então vamo lá. Saindo dos hippies e voltando pra vida real.

O que é ser cabeça aberta

Ser cabeça aberta é uma questão de estar aberto a possibilidades. Significa ser receptivo a ideias que pareçam loucura, que não soam familiares, que são estranhas e até repulsivas. É aceitar TUDO o que vier à sua mente e não rejeitar nada de bate-pronto. Significa ser paciente com teorias excêntricas e ousadas, enquanto o resto do mundo não se importa em dar-lhes devida atenção. Essa característica vai te ajudar a ser mais criativo, mais inovador e assim acumular valor ao seu trabalho.

Mas como eu disse, não dá simplesmente pra acordar um dia e – PUFF! – sou cabeça aberta! A cabeça-abertice é um processo, uma característica que você pode desenvolver com esforço e prática. Mas como?

Como ser mais cabeça aberta

A primeira coisa que você pode fazer é baixar a guarda de todas as ideias pré-concebidas que você tem. A gente tem uma tendência natural a rejeitar automaticamente tudo o que vai de encontro ao que acreditamos ser a forma correta de ver a vida. Existe um termo na psicologia chamado “Backfire Effect” – ou, em livre tradução (porque eu não consegui descobrir o nome certo no Google) o Efeito de Contra-ataque. Basicamente esse efeito é uma resposta do nosso cérebro tentando defender a todo custo nossas crenças.

É exatamente esse efeito que faz as discussões infinitas nas redes sociais acontecerem. Não importa se alguém tenha pontos mais válidos do que os meus sobre motivos de torcer ou não pro Galo, eu vou passar o resto da minha vida batendo de frente e argumentando que aquele imbecil tá errado. Não tem jeito, é um mecanismo de defesa. E como resultado desse efeito, a gente tende a manter o mesmo conjunto de crenças, gerar os mesmos tipos de ideias e nos tornamos menos inovadores em nosso pensamento.

Mas a boa notícia é que dá pra desativar o default mode do nosso cérebro e começar a ser menos resistente a argumentos e ideias diferentes. O que se pode fazer é começar a desconfiar de tudo. A ideia é fazer o oposto do que você faria pra defender seu argumento.

Cês tem que começar a assistir Seinfeld pra entender minhas piadas

Comece a buscar por informações que ataquem aquilo que você tanto acredita ser verdade. Não quer dizer que você precisa se converter ao oposto no final do processo. Pode ser até que, com essa prática, você tenha ainda mais motivos pra manter suas convicções. De qualquer maneira, você deu uma olhada real em ideias mais diversas das que, de outra forma, você teria. Isso é ser cabeça aberta!

Entenda que você não é o que você acredita

Existe uma diferença entre crenças e identidade que, muitas vezes, passa despercebida. A gente pode ter a ideia de que nós somos o que acreditamos. Isso acontece muito nas áreas de política e espiritualidade. Não é à toa que a gente diz que religião, política e futebol não se discutem.

Mas isso pode ser, não só perigoso, como restritivo também em outras áreas. Como, por exemplo, eu que decidi ser redatora publicitária. Minha meta desde sempre era ser a mente criativa por trás de slogans, jingles, textos geniais. Eu nunca quis ter nada a ver com design (até porque me falta talento). Mas se eu tivesse me restringido a quem eu queria ser, a redatora, nunca teria entendido a importância do todo. Da harmonia que deve existir entre a comunicação verbal e a não verbal numa peça.

Você não é suas crenças. Você também não é seu interesse ou experiência. Se você aprender a pensar desse jeito, você vai ter a cabeça aberta para ideias novas e úteis.

Abandone a ambição de ser um especialista

Criação não faz parte das ciências médicas. Você não precisa ser um especialista pra conseguir um trampo. E a verdade é que, na nossa área, ser um especialista só diminui nossas chances de sucesso e de ganhar dinheiro – ao contrário do que acontece entre um cirurgião cardíaco e um clínico geral do postinho de saúde.

Eu sei que às vezes é tentador. Em muitas ocasiões me peguei pensando que talvez eu devesse estudar mais e me especializar em algo. Eu me dei conta de que sei um pouco sobre um monte de coisa, mas não sei um monte de coisa sobre um só tópico. Fiquei meio desencorajada até e senti que tinha fracassado profissionalmente. Mas, se pá, eu tava errada. Ser criativa exige de mim uma cabeça aberta pra novas possibilidades, pra coisas nunca antes imaginadas, pra soluções que ninguém propôs. Eu preciso saber um pouco de tudo. Me encher dos conhecimentos mais variados possível pra que meu cérebro tenha onde recorrer quando precisar criar – e não copiar – algo novo.

Saia da zona de conforto

Pra consagrar nosso último ponto, não há como ter uma cabeça aberta sendo eclético e um bom generalista se você não sair da sua zona de conforto. E isso pode ser literalmente um espaço físico – como sua bancada de trabalho, sua casa, seu escritório. Você precisa se permitir tentar coisas novas. Novos filmes, novas músicas, novos estilos de arte, novas comidas, novos amigos…A lista é infinita! O que não pode acontecer é você estagnar com o usual, com o comum e o normal de todo dia. Pra encher seu repertório com possíveis novas ideias e te ajudar a ser mais criativo, você PRECISA tentar coisas diferentes.

Vamos pensar, por exemplo, que você tem que criar uma peça sobre um picolé novo da Ajellso. (Pra quem não é capixaba: o dia que cê visitar o ES, vai pra Praia da Costa, espera passar um carrinho com um camarada magrelo, moreno de sol, gritando “PICOLÉ D’AJÉÉÉLLSSSSO. CARGA NOVA, CARGA NOVAAAA!” e pede um de araçaúna e um de abacaxi com coco. Se tiver tempo e espaço no estômago, o de abóbora com coco é top também!).

Meu amigo, minha amiga, sai na hora do almoço e compra o bendito picolé. Pode não ser seu sabor favorito. Pode até ser que você não goste de picolé, mas as informações que você pode adquirir por simplesmente experimentar podem te dar ideias que antes nem cruzariam a sua mente.

Tente o que for novo, arrisque, aprenda! Meu pai sempre me ensinou que conhecimento é a única coisa que a gente adquire que não ocupa espaço. Nosso cérebro tá mais que pronto pra armazenar todo esse conhecimento de mundo que faz com que nós, criativos, sejamos tão admirados por pessoas normais.

Então racha essa cachola no meio! Tenha e mantenha uma cabeça aberta pro benefício do mundo e pro seu próprio proveito. 😉

Beijo na testa!

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Não bebo café nem sou designer, mas vim dar pitaco aqui assim mesmo. Prazer, Nayara! :) Redatora publicitária de formação e prática, me embrenhei no mundo das mídias sociais quando o Twitter ainda era tudo mato. Sou LDS, mineira, emigrante radicada na Califórnia (mas #prefirovilavelha) e casada com um doido aí que eu conheci no Tinder.


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