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Designer ativista: Você já pensou em ser um?

Designer ativista: Você já pensou em ser um?

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Designer ativista é aquele profissional que tem propósito, que entendeu que o design é uma ferramenta tão importante e poderosa que não pode ficar só na mão das empresas que só pensam em gerar cada vez mais lucro, sem se preocupar com as causas de nosso planeta.

Um marco que inspira uma reflexão sobre as possibilidades de uso do design para fins além do serviço ao capitalismo é o Manifesto First Thing First (1964)” — depois você pode voltar e consultá-lo na íntegra — e sua atualização First Thing First 2000” (1999) idealizado pelo designer inglês Ken Garland e publicado pela reconhecida revista Adbusters — mundialmente conhecida por fazer contramensagem ao sistema capitalista.

Ken Garland e seu manifesto incentiva à reflexão, sobre quais são, ou deveriam ser, as prioridades do design gráfico, defendendo o estímulo a uma nova e correta percepção do design pela sociedade dessa atividade como uma ferramenta benéfica a serviço das pessoas, e não apenas um dos braços da fabricação e propaganda de produtos. Não seria isso um pré-estímulo a uma concepção de um conceito de designer ativista?

Entretanto, com o passar do tempo, Ken Garland continuou seu posicionamento de maneira mais branda, propagando que a maior influência social do designer é como eleitor.

Vamos lá…, mas, é bom deixar claro que neste artigo entendemos que o conceito de ativismo que deve ser propagado é:

Transformação da realidade por meio da ação prática; efetivação dessa doutrina ou dessa argumentação, através da defesa de uma causa ou da transformação da sociedade por meio da ação e não da especulação.

Sobre ser um designer ativista

Designer ativista é todo aquele profissional que realiza projetos desvinculados da lógica de mercado de gerar lucro e agregar valor a produtos e serviços. Ele realiza os projetos com criticidade, dando função simbólica, ressignificando questões políticas, sociais e do posicionamento de marcas que ele não concorda.

Agora talvez você deva estar se perguntando o que tem de benefício em ser um designer ativista?

Eu te respondo: Gratidão, Legado, Conexões, Colaboração, Experiências e Portfólio.

A Gratidão pode ser expressa pelos pontos de contato do seu projeto de design ativista. O Legado se manifesta de que você com seus projetos como designer ativista deixará para a sociedade algo de impacto que pode inspirar outras pessoas.

Conexões, Colaboração e Experiência você vai poder experimentar trabalhando coletivamente com outros designers ativistas. Muitas mentes pensantes conseguem produzir com mais criticidade. E por fim, não preciso te dizer que o que você criar, sejam posts, posters, estampas, stencil, etc… tudo isso irá para seu portfólio.

Se você pesquisar, não são muitos designers que tem projetos com essa finalidade ativista/social. Mas vale a pena a pesquisa.

Como você pode se tornar um designer ativista

A mudança de comportamento pode ocorrer de diversas formas: aprendizagem de algum conhecimento ou técnica, relacionamento com alguma pessoa, uma leitura ou filme inspirador, enfim qualquer coisa que acione o seu raciocínio ou sentimento no sentido de fazer algo novo, inspirador.

Tudo começa com um compromisso consigo mesmo e com seus valores. Um compromisso de fazer escolhas conscientes e perceber como todas as decisões que você toma como designer gráfico afetam outras pessoas e o planeta. Trata-se de estar acordado em vez de deslizar com a forma como as coisas sempre foram feitas.

O mundo anseia por mudanças e os próximos desafios dos designers serão projetos voltados contra o supérfluo e o descartável. As pessoas estão sentindo cada vez mais a necessidade de esforços que, coletivamente, tenham um impacto positivo em suas comunidades e em seu planeta de forma compartilhada com foco em qualidade de vida.

O design gráfico além de sua função já amplamente conhecida na indústria, pode ser utilizado também como meio de transformação social através da formação de consciência crítica.

Referências sobre design ativista

Para te ajudar a se inspirar em ser um designer ativista vou te indicar algumas referências sobre o assunto.

Designer Ativista - The Design Activist's Handbook: How to Change the World
The Design Activist’s Handbook: How to Change the World

The Design Activist’s Handbook: How to Change the World (Or at Least Your Part of It) with Socially Conscious Design

Este livro é para todo designer gráfico que já se sentou em um computador, pensando: é isso? Não há mais? É uma ferramenta para ajudá-lo a descobrir como começar a fazer a diferença e ganhar a vida ao mesmo tempo – não importa onde você mora e trabalha agora.

Basta abrir este livro e você será ensinado a começar a caminhar na direção certa, em relação a se tornar um designer ativista. Não precisa ser perfeito. Pequenas ações de muitas pessoas somam grandes mudanças. Isso não é um concurso sobre quem é o mais verde ou o mais radical.

Designer Ativista é um movimento, e o convite e provocação dos autores é para você começar a participar agora mesmo.

Design & Ativismo – Ilustração Crítica no Design Social e Ativista

O vídeo abaixo é do episódio 4 do projeto de extensão Design Live Series com o ilustrador e professor Dr. Claudio Aleixo, da UFG – Universidade Federal Goiás.

Ele é voltado para os alunos da UFG o professor Claudio, mediado pelo professor Wagner Bandeira, explica os embates e as experiências voltadas para design e comunicação fora das necessidades de mercado, que levaram a ele a se tornar um pesquisador sobre o Design Social e o Design Ativista.

Sem dar spoilers, pois quero que você veja a explanação dele sobre a Ilustração Crítica e suas relações com o Design Ativista e Social, bem como sobre a construção de seu processo de ilustração crítica.

A base do discurso de Cláudio é sobre o poder da função simbólica do design para ser usado na desconstrução das narrativas sociais, para criar uma interpretação particular.

Te peço por favor, termine de ler o artigo e depois volte aqui para assistir ao vídeo.

Iniciativas ativistas no design

Para te provar que é possível se tornar um designer ativista, vou apresentar iniciativas que mostram a atuação do designer com esse propósito. Espero que a partir dos exemplos a seguir, você absorva o tema do Design Ativista, e construa uma postura crítica.

Un Mundo Feliz: designer ativista contra o Imperialismo

Un Mundo Feliz: designer ativista contra o Imperialismo
Cartazes desenvolvidos pelo coletivo Un Mundo Feliz

Os designers desse coletivo se posicionam de forma clara como ativistas culturais, curadores independentes especializados em design gráfico. É um coletivo de ativismo gráfico atuante desde 2007, fundado por Sonia Diaz e Gabriel Martinez na Faculdade de Belas Artes de Salamanca, na Espanha.

Têm como membros designers, artistas, vídeo artistas e programadores tais como: Galfano Carboni, Fernando Palmeiro, Javier García, Marian Navazo e Ignacio Buenhombre.

Somos levados a crer que eles são os representantes de um novo ativismo, intimamente relacionado à ação direta cultural, a metodologia do “faça você mesmo” e com uma cultura visual em vias de expansão que compreende tanto os projetos profissionais como o grafite de rua.

Conscientes das possibilidades de difusão que oferecem as tecnologias digitais e, especialmente a internet, os membros do coletivo se movem com enorme versatilidade neste mundo, mas também o fazem no vídeo e no papel, sempre com os pés no design, na arte e as estratégias — subvertendo a consciência da publicidade.

Com um desenvolvido sentido de rede, se conectam com outros grupos de enfoque e perfil similares, e se mostram abertos a uma colaboração que não conhece fronteiras. Como eles mesmos confessam, surgiram por necessidade, para por um contrapeso na balança do capitalismo, no fato de trabalhar para um mercado que nem sempre corresponde com o que eles acreditam.

Cartazes desenvolvidos pelo coletivo Un Mundo Feliz

O trabalho do coletivo Un Mundo Feliz

O coletivo Un Mundo Feliz baseia seu trabalho em imagens, geralmente muito simples, próximo do design minimalista, e que são carregadas de mensagens polêmicas, que depois são disseminadas de diversas maneiras: através do blog, para que outras pessoas possam usá-las gratuitamente replicando as mensagens.

Eles disseminam suas imagens imprimindo cartazes, postais, adesivos, stencils, etc. que depois são compartilhados nas manifestações. Também editaram vários livros, com destaque para o Pictopia, onde mostram o trabalho do coletivo dos últimos 10 anos, publicado em 2008.

Para registro, o trabalho do coletivo Un Mundo Feliz figura nas seguintes publicações:

  • Pictopia (Promopress 2008)
  • Iconicity/Imagomundi (Promopress 2011-2015)
  • The new Disasters of War (Ediciones de Ruina 2012)
  • Crit-Icon Stencil (MUSAC 2015)
  • Towapo
  • Ética para Sobreviventes e Alienígenas (Ediciones Complutense 2019)
  • Woman Sans (Mincho Press 2020)
  • Protest Pictogram Activism (Hoaki Books 2021).

Eles também são editores da publicação independente Bastard Art Review, BoldBooks, Politics Zine e promotores de editoração eletrônica, fanzines, festivais de design e tipografia.

Te pergunto, você consegue pensar em você e seus amigos designers formando um coletivo de designer ativista e botando para quebrar com mensagens ousadas, expondo nossos problemas políticos e sociais?

Se você ainda é um estudante de graduação, te dou a dica de começar esse coletivo dentro da faculdade mesmo. Experimente criar coletivamente, colaborar, cocriar… Causas não faltam para motivar as criações. Basta se inspirar e colocar a mão na massa.

Luba Lukova: designer ativista que gera oportunidades comerciais e prêmios

Luba Lukova: designer ativista que gera oportunidades comerciais e prêmios
Cartazes desenvolvidos por Luba Lukova

Esse outro case que separei é a atuação de uma designer ativista que elevou o nível do design com propósito.

Renomada internacionalmente, e doutorado honorário do Art Institute of Boston, Luba Lukova, com sede em Nova York, é considerada uma das criadoras de imagens mais originais da atualidade.

Seja usando uma economia de linha, cor e texto para identificar temas essenciais da humanidade ou para visualizar sucintamente comentários sociais, seu trabalho é inegavelmente poderoso e instigante.

Na arte e design de Lukova, menos é mais. Mais efeito, mais mensagem, mais expressão; tudo ao fazê-lo com menos. Os elementos gráficos são arrojados com poucos detalhes finos, mas a intenção é clara. Suas mensagens refletem a condição humana, equidade fundamental e justiça.

No entanto, embora seja fácil se concentrar apenas nas mensagens de seus trabalhos provocativos, é importante dar um passo atrás para apreciar o mérito artístico de sua simplicidade. Seu uso de imagens metafóricas marcantes dá aos espectadores arte para apreciar não apenas visualmente, mas intelectualmente.

O trabalho de Luba Lukova

O trabalho de Lukova está incluído nas coleções permanentes do Museu de Arte Moderna de Nova York; Museu de Arte de Denver; Bibliothèque nationale de France, Paris; Museu do Patrimônio de Hong Kong; Centre de la Gravure et de l’Image imprimée, La Louvière, Bélgica; a Biblioteca do Congresso; e o Banco Mundial, Washington – DC.

Suas exposições individuais incluem UNESCO, Paris; Galeria DDD, Osaka, Japão; Galeria La MaMa, Nova York; o Instituto de Arte de Boston; e o Museu de Design Atlanta (MODA).

Cartazes desenvolvidos por Luba Lukova

Refletir sobre questões sociais complexas tem sido o foco de toda a carreira de Lukova devido a sua firme crença de que a arte e o design são fundamentais para a existência humana e que a moralidade e a criatividade estão alinhadas.

Em 2008 ela lançou seu livro “Social Justice portfolio, abordando temas como paz, censura, imigração, ecologia, fome e corrupção.

Lukova recebeu comissões da Sony Music, Canon, The New York Times , Time, e Universidade de Harvard, entre outros. Seus desenhos enfeitam a caixa de CDs da Verve Records Ella Fitzgerald e Duke Ellington na Cote D’Azur , indicada ao Grammy de melhor design de embalagem de gravação.

Colaborações e prêmios de Luba Lukova

Lukova colaborou com alguns dos visionários do teatro contemporâneo, criando cartazes marcantes para as produções de Judith Malina e Living Theatre, Ellen Stewart e La MaMa Theatre e Sir Peter Hall. O primeiro cartaz de teatro que ela desenhou, There Is No Death for the Songs, está agora incluído na coleção permanente do MoMA, em Nova York.

Os muitos prêmios de Lukova incluem o Grand Prix Savignac/Poster Mais Memorável do Mundo no Salão Internacional de Cartazes em Paris; o Lápis de Ouro do The One Club em Nova York; Prêmio de Honra na Exposição Internacional de Cartazes em Fort Collins, CO; e uma bolsa da Fundação Reisman.

E aí, algumas dessas atuações te inspiraram a engajar-se como um designer ativista?

Quero te parabenizar se ao menos você entendeu e concorda que há a possibilidade de usar o design para um propósito além de gerar produtos e serviços mais lucrativos em favor do capitalismo.

As causas que merecem nossa atenção em nosso país são as mais diversas. Olhe para política, para sociedade, para o meio ambiente e para nossa cultura, certamente você encontrará algo que te motive e indigne e faça com que você coloque as mãos na massa.

Junte seus amigos e forme um coletivo, participe de algum coletivo já existente como o Design Ativista, faça algo nem que seja sozinho(a), mas não perca a chance de se tornar um designer ativista em favor de um mundo mais justo, igualitário e melhor para nós e para as próximas gerações.

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Rodrigo Lucio

Rodrigo Lucio

Fundador e designer pelo negócio social BemCria, onde atua junto a MEIs, MPEs e o Terceiro Setor e que quando captar recursos será uma Agência-Escola para estudantes de cursos relativos a Economia Criativa. Pesquisador do design com preocupações sociais, depois de muito esforço, se tornou amante de um café sem açúcar – se for gourmet melhor ainda.

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