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Dupla de criação: o casamento arranjado da publicidade

Por 29 de maio de 2018Marketing
Dupla de Criação - Hora de Aventura
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Trabalhar em agência de publicidade ou até mesmo em house exige adaptação e paciência. A começar pela sua parceria de todas as horas: a sua dupla de criação.

Pra quem tá acostumado a se virar sozinho e trabalhar no ritmo que bem entender fazendo freela aqui e ali, a ideia de ter alguém dando pitaco nas suas peças é de provocar um estresse sem tamanho. Afinal de contas, quem é essa pessoinha aí pra falar qualquer coisa? Ela nem é designer!

Dupla de Criação - Quem tá falando

Mas é justamente aí que tá a vantagem. Acompanha meu raciocínio que eu vou te explicar o outro lado da moeda.

Muitos designers que conheci na minha carreira nunca passaram perto de uma faculdade de publicidade e propaganda. A maioria se especializou em Design Gráfico, seja pelo acúmulo de diversos cursos técnicos ou até mesmo por formação Universitária na área artística. Essa especialização, a meu ver, é riquíssima e muito necessária na hora de dar forma às ideias dispersas na nossa cabeça. Mas também pode ser um perigo já que desenhar pra ser bonito e desenhar pra atingir objetivos mercadológicos são coisas completamente diferentes. E pode acreditar, às vezes elas nem se esbarram!

A dupla de criação é composta por um redator e um designer, geralmente sob a supervisão de um Diretor de Criação. Esse não é um conceito que surgiu como fundamento em todas as agências desde a invenção do mercado publicitário. Antigamente a criação de uma peça ou campanha ficava toda por conta do redator. O designer era responsável por transformar o texto e conceitos que já vinham prontos e à prova de alterações em formas gráficas no final do processo. Não se sabe exatamente quando ou quem foi o responsável pela ideia de juntar as duas partes e iniciar os trabalhos com uma dupla de criação, mas senhor ou senhora, onde quer que você esteja, muito obrigada! Os resultados não poderiam ser melhores.

Não é novidade pra ninguém que duas cabeças pensam melhor do que uma, e a dupla de criação se baseia completamente nisso. Eu sou redatora e naturalmente noob quando a questão é jogar no computador a propaganda perfeita que eu tô imaginando. Por outro lado, a minha habilidade de expressar ideias em palavras é algo que comumente falta aos que formam dupla comigo. Mas no final das contas tudo dava certo.

 

No final!

No começo pode ser complicado. Como eu disse, dupla de criação é um casamento arranjado. Você não escolhe com quem vai trabalhar. Você é contratado pela agência e de repente cai de paraquedas na cadeira do lado do designer. Ou ele acaba caindo lá depois de você. É uma pessoa estranha (no sentido de “desconhecido”. Apesar de que nessa nossa área, estranho é uma palavra que pode descrever de boa qualquer profissional de criação haha), que tem uma carreira, uma formação, experiências e habilidades diferentes das suas. A cultura pode ser diferente, o sotaque, e, como aconteceu na minha última duplagem, o cara era Cruzeirense e eu aqui Galo Doido (salve, Kemel Mellem!). Quer dizer, tinha tudo pra dar errado. Só que deu certo até demais! E tudo porque os dois tavam dispostos a abrir a cabeça e não deixar que um abismo se criasse impedindo que o trampo fluísse.

A chave pra fazer funcionar uma dupla de criação, assim como um casamento, nada mais é do que o respeito mútuo. É ter a humildade de entender que eu não estudei tudo o que meus camaradas estudaram e não tenho o conhecimento artístico que eles adquiriram com o passar dos anos. É reconhecer que a opinião deles sobre o meu texto pode ser extremamente válida pra atingir nosso objetivo. E saber que a gente joga no mesmo time e não do outro lado da Lagoa.

Mas ao mesmo tempo eu preciso estar ciente do valor que o meu conhecimento, ponto de vista e trabalho tem pra poder contribuir sem medo. É nessa hora que eu uso a minha capacidade de escolher bem as palavras pra, com jeitinho, também sugerir mudanças e dar meus pitacos. Se a comunicação entre a dupla de criação é clara e respeitosa, os objetivos estarão sempre alinhados e o resultado será positivo.

Com o tempo a gente vai criando uma amizade maneira e quando você pensa que não, já tá mandando meme um pro outro no Instagram, montando grupo no Whatsapp, dividindo freela, convidando pro churras que vai rolar no final de semana. Vai chegar até ao ponto de ter uma coleção de piada interna pra zoar o resto da agência e, de olhar um pro outro, rolar um “transmimento de pensação”, uma sincronia que beneficia a todos.

Dupla de Criação - Xubaca

A moral da história é a seguinte: casamentos não são perfeitos, assim como uma dupla de criação também não é. Mas sempre, SEM-PRE, existe um jeito de fazer dar certo e tudo começa pelo respeito mútuo e uma boa pitada de humildade. Então se seu destino como designer te jogar um dia dentro de uma agência pra duplar com um redator, lembra que do outro lado também tem um profissional que quer crescer e se aperfeiçoar assim como você e vocês precisam um do outro pra fazer isso acontecer. Redator é bicho esquisito e a gente pode ser bem chato mesmo com essa história de corrigir uma coisinha aqui e ali toda hora, mas o coração da gente é bom, prometo! 🙂

Beijo na testa!

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Não bebo café nem sou designer, mas vim dar pitaco aqui assim mesmo. Prazer, Nayara! :) Redatora publicitária de formação e prática, me embrenhei no mundo das mídias sociais quando o Twitter ainda era tudo mato. Sou mórmon, mineira, emigrante radicada na Califórnia (mas #prefirovilavelha) e casada com um doido aí que eu conheci no Tinder.


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