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5 fatos sobre o minimalismo na história da arquitetura e do design

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Ao pensar em minimalismo podem vir muitos pensamentos ou quase nada (haha). Minimalismo pode ser definido como um conceito, um estilo de vida, um movimento artístico, representações arquitetônicas, um símbolo, ou característica. Sabia que o termo já foi aplicado até em música?

O seu vasto conceito permite que o minimalismo seja fonte de inspiração que cabe em muitos lugares, muitos mesmo, é sério! 

A verdade é que o minimalismo dita muitas regras no mundo contemporâneo e pode parecer que o uso do branco, poucos mobiliários e desapego sejam coisas do atual século ou relacionadas ao futuro, mas o minimalismo tem história e começa no século passado. 

Fato 1 — Surgimento 

O estilo minimalista pode ser hoje uma escolha, considerado cool, mas sua origem não veio de uma opção. Ao nos depararmos com um país em pós guerra com pouquíssimos ou nenhum recurso, a única escolha é poupar, ser menos, ter menos, quando falamos dos abismos da desigualdade social a resposta é a mesma, não é uma opção.

Aliás a famosa frase “ menos é mais” em tradução literal de “Less is more” é de Mies Van der Hor um famoso arquiteto Alemão que mais tarde naturalizou-se americano. Tem origem justamente do momento pós 2ª guerra mundial onde as construções não tinham como opção apelarem para adornos e ter a preocupação até então necessária com a estética, era um ponto pacífico principalmente em edifícios públicos e moradias. 

Nesse contexto, os materiais precisam ser acessíveis, leves e as construções nunca precisaram ser tão ágeis.

A revolução industrial, a pesquisa de novos materiais, impulsionaram o movimento que conhecemos hoje como estilo modernista. A arquitetura de Van der Hor tem traços de um momento, onde a otimização era necessária para construção civil, dando ênfase no contexto era um momento sem muitas alternativas, a opção era ser menos.

Aqui temos um exemplo do modelo de construção denominado pavilhão como ficaram conhecidas boa parte das suas obras que tinham como características, um único pavimento duas lajes retas e estrutura sustentada por pilares metálicos, sim bem clean.

Aqui podemos observar também o protagonismo da cor branca. Guardou a referência? 

minimalismo modelo pavilhao
Construção modelo conhecida como pavilhão de Ludwig Mies van der Rohe

Fato 02 — Desmistificando conceitos

Para iniciarmos um processo mais aprofundado vamos desmistificar alguns conceitos já conhecidos.

As características, clean/limpo, traços simples, cores neutras se originam de uma série de ações e evoluções de um mundo pós-modernista que trouxe as tendências do que hoje denominamos como minimalismo, mas ele não se resume a isso. 

O que acontece é que as “n” facetas do minimalismo são aplicadas em diversas culturas há muito tempo. 

Uma curiosidade, há anos os japoneses usam o estilo monocromático em suas casas, a mobília é mínima e a regra do desapego é real.

Já pararam para pensar em como a própria bandeira do Japão é minimalista?

Já pesquisaram sobre as bandeiras das províncias japonesas? Pasmem, todas são minimalistas. 

minimalismo bandeiras das provincias japonesas
Alguns exemplos de bandeiras das províncias japonesas 

Fato — 3 Aplicação 

Hoje o minimalismo falado no design tem se aplicado em diversos contextos, muitas marcas têm realizado o seu rebranding e adotado o estilo que parece a tendência da década. Até mesmo marcas como a BMW, tradicional e conservadora não deixaram de fora o estilo em seu novo logotipo

minimalismo evolução bmw

Acredito que já tenham visto, diversas séries de TV, documentários e filmes tratando a consciência do consumo com temas recorrentes sobre como, gastar menos, aproveitar roupas com diversos estilos, até mesmo o movimento de alugar ao invés de comprar itens, são um reflexo para onde caminha a humanidade, a aderência de serviços como Uber faz parte da projeção de consumo minimalista onde teremos cada vez menos bens particulares e cada vez mais bens compartilhados. 

Em casa o modelo que carregamos na memória da casa dos nossos tios e avós tem se perdido aos poucos, aquelas salas cheias de mobiliários em madeira, densos, tem dado espaço e se limitado a sala contemporâneas com pouco mais de um sofá e móvel de apoio ou moldura para TV.

Nem em defesa de um nem em defesa do outro, mas o minimalismo é um estilo de vida. 

sala minimalista
Exemplo de sala minimalista contemporânea 

Fato 4 — Referências

Os grandes nomes da arquitetura modernista que mais tarde viriam a se tornar referências do estilo minimalista, ministraram na mesma escola. Bauhaus, a escola tinha uma influência tão grande em seu espaço que teve que ser fechada e seus professores exilados como o caso de Mies van der Rohe, mas isso é papo para outro artigo. 

Seja por necessidade ou escolha, o minimalismo é muito mais que um estilo e vamos bater o martelo em relação a isso. É quase uma filosofia. 

Para compreender melhor esse conceito, algumas referências como Ludwig Mies van der Rohe já citado a alguns parágrafos atrás, tem o seu estilo refletido não apenas nas construções arquitetônicas tendo uma variedade de produção também em mobiliários como o exemplo de uma das cadeiras mais famosas da história a cadeira Barcelona 

minimalismo cadeira barcelona
Exemplo da cadeira Barcelona de Ludwig Mies van der Rohe

Uma grande referência abordando o minimalismo como design de produto é o artista designer Philippe Starck, em destaque a uma de suas criações está o seu famoso espremedor de laranjas e limões também. 

minimalismo espremedor philip starck
Espremedor de laranjas idealizado por Philippe Starck

Como estilo contemporâneo não poderíamos deixar de fora, é claro eles, talvez os que possam devidamente carregar definição de país minimalista que concentra uma população de pouco mais de 125 milhões de pessoas em um território com um quase 380.000 km².

Hoje o Japão carrega grandes nomes da arquitetura contemporânea, referências do minimalismo atual, como Kazuyo Sejima ganhadora de um dos prêmios de maior prestígio na arquitetura, sendo referido como Oscar da arquitetura o Pritzker, em 2010.

Ps: Repara só a cor e os materiais 

Mas como dito anteriormente, NÃO SE APEGUE AO BRANCO.

minimalismo proejto kazuyo sejima
Obra arquitetônica de Kazuyo Sajima pela qual foi premiada com o Pritzker
Century Museum of Contemporary Art, Kanazawa

Fato 5 — Minimalismo é para você?

Bom, algumas pessoas não tiveram e não tem a opção, mas se você tiver o privilégio de escolher viver com menos, você faria essa escolha? Ou ao escolher a sua decoração você optaria pelo mais simples? 

Alguns artistas, arquitetos e outros profissionais têm se tornado destaques do estilo minimalista.

Já pensou em morar em uma mini casa?

A dinâmica das mini casas como são apelidadas construções que levam o mínimo a outro patamar, se assemelham em diversos aspectos as dinâmicas comuns da minha ou sua casa em questão, porém, as construções de dimensões mínimas por vezes utilizam o mesmo espaço para diferentes atividades como uma sala versátil que hora é uma cozinha, hora é uma sala de estar.

Os quartos e banheiros permanecem na maioria das vezes como os espaços privativos dos quais estamos habituados. O seu design segue as linhas retas e a composição dos materiais boa parte das vezes segue as construções menos tradicionais de blocos que as tornam densas e é geralmente optado por estruturas metálicas, de madeira ou materiais contemporâneos ainda em pesquisa. Geralmente pré moldadas, são de rápida construção na sua execução. Um exemplo para que observem a dinâmica desse modelo está na imagem abaixo.

minimalismo mini casas

Contextos 

Existem alguns documentários e influencers que também adoram o estilo. Aqui estão algumas dicas caso queira entender como é na prática para se aprofundar no assunto, segue a dica de alguns documentários. O documentário minimalismo já. Disponível na netflix e o Minimalismo disponível na mesma plataforma trazem duas abordagens complementares sobre o tema como escolha de um novo estilo de vida. 

Uma série não necessariamente ligada diretamente ao tema, mas que indiretamente faz referência ao que precisamos para viver é ordem na casa, originária do livro escrito também por Marie Kondo, e adivinhem a sua nacionalidade? Bom, por hoje é só mas me siga para mais artigos relacionados à arquitetura e urbanismo.

Espero que tenha gostado desse artigo e até breve! 

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Jéssica Yamada

Jéssica Yamada

Humana inconformada, inquieta, curiosa. Apaixonada pelas artes tenho como preferidas, arquitetura, cinema e gastronomia. Minha curiosidade diversa costuma me levar para fora dos lugares comuns e que podem fugir um pouco da lógica. Arquiteta e Urbanista de formação, hoje divido minha vida trabalhando com inovação e vivendo meus hobbies.

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Gustavo
Gustavo
4 meses atrás

Muito interessante. Espero ver mais posts dessa moça, ela escreve super bem. Tá de parabéns!

Yasmin
Yasmin
3 meses atrás

Amei o texto. Informativo, claro, e muito bem escrito. No aguarde dos próximos.

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