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10 passos para criar uma apresentação de identidade visual inquestionável

Por 13 de fevereiro de 2020Design
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Uma boa apresentação de identidade visual, se feita sob um design coerente com as necessidades do cliente, dispensa qualquer defesa de projeto. Afinal de contas só precisa de defesa quem é vulnerável, frágil e indefeso. 

Não vá para uma apresentação de identidade visual com o objetivo de convencer ou de vender sua ideia. Você tem um projeto bom nas mãos e sua tarefa é mostrar para seu cliente que o que ele está vendo é exatamente o que o negócio dele precisa. Ele tem que ter a plena certeza que nada diferente atenderia com a mesma eficiência. 

Para alcançar esse resultado você precisa alinhar bem com seu cliente sobre suas necessidade e expectativas, antes de começar a criar qualquer rabisco. Para tal, você vai precisar lançar mão de um bom briefing, quem sabe um painel semântico ou Moodboard e a boa e velha conversa cara a cara.

Eu tenho um bom exemplo de como uma boa conversa pode fazer toda a diferença: Certa vez fui a uma padaria com o cliente para refinar as respostas que ele já tinha me enviado pelo formulário de briefing e notei, que quando a garçonete trouxe seu café, ele retirou o pires de debaixo da xícara e virou de cabeça para baixo sobre a mesa. Foi então que eu perguntei o porque daquilo e ele me perguntou: “Você já viu esse pires? Eu não consigo olhar pra ele!”

O pires tinha o encaixe da xícara descentralizado e o toc deste cliente era tanto que ele não suportava ver aquela cena. Isso me mostrou que o design que eu viria a propor deveria ser o mais simétrico possível.

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Uma apresentação de identidade visual de sucesso, depende de um projeto bem feito

Não se trata de apenas um logotipo, então esqueça essa ideia de criar algo baseado em meia dúzia de pergunta apenas ou criar mais de uma opção para seu cliente escolher. Em projeto de design não pode existir isso.

Você pode até criar dezenas de opções nos seus estudos, mas apenas uma delas deve ser trabalhada e finalizada para uma apresentação de identidade visual funcionar. Afinal se você não é capaz de escolher o que é melhor para seu cliente, como ele vai confiar no seu trabalho?

Neste ano eu completo 20 anos de experiência em design e o que mais eu aprendi nesse tempo todo é que o cliente precisa ser encantado na hora de conhecer a nova identidade visual da empresa dele e que eu não devo medir esforços para garantir a melhor experiência possível.

O que vou compartilhar não é uma receita de bolo ou algo que li num livro, é simplesmente a forma eu encontrei, depois de muito adaptar, e que tem dado muito certo. Agora chega de conversa e vamos aos 10 passos.

Passo 1 – Mostre que você conhece o negócio do seu cliente

Provavelmente seu cliente já tenha algum site ou redes sociais com informações que podem descrever bem o que é a empresa dele e quais produtos e serviços ele oferece. No entanto, nada melhor do que você dizer com suas palavras, como você enxerga e entende o negócio dele.

Eu tenho feito um exercício que tem funcionado bastante: pego várias frases que são ditas no briefing e monto de tal forma que vai sair um ou dois parágrafos resumindo a essência da empresa. Isso garante que será atual e mostra para seu cliente o quanto você levou a sério tudo que ele falou e se esforçou para entender o negócio dele. 

Nem sempre é necessário, mas essa pode ser uma boa hora para falar dos concorrentes e quem sabe mencionar pontos fracos e fortes, tanto dos concorrentes como do próprio cliente. Isso pode revelar oportunidades e padrões de comportamento, já testados no mercado.

Passos 2 – Relembre os principais pontos do briefing

Sabe aquela famosa frase policial: tudo que você disser será usado contra você… É quase isso 🙂

Brincadeiras a partes, nessa hora você deve deve recortar e colar algumas das muitas frases que foram ditas no briefing, moodboard, conversas de whatsapp e até falas em reunião. Eu gosto de usar aspas para deixar claro que não alterei uma vírgula do que está sendo lido.

Funciona muito bem ilustrar cada uma dessas frases com imagens e passá-las no estilo slider. É como se você estivesse dando vida ao que foi dito. Isso reforça o caminho que o projeto deveria seguir, pela perspectiva do próprio cliente. 

Passo 3 – Destaque as palavras-chaves mais relevantes

Extraia o máximo de palavras que você conseguir. Retire dos textos, das falas e de pesquisas que você fez no Google.

Eu gosto de usar o mapa mental pra escrever essas ideias. Com ele é possível organizar as palavras em grupos para facilitar a leitura e o entendimento. 

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Não invente palavras-chave. Extraia de tudo que foi identificado nos passos anteriores e inclua, também, significados literais de palavras que podem conter no nome da empresa do seu cliente. Exemplo: se o nome do negócio é Touch Tec, é fundamental listar os significados de Touch e de Tec. Isso pode ajudar. 

Não faz muito sentido você se dar esse trabalhão todo apenas na fase de apresentação de identidade visual. Essa etapa deve acontecer antes do seu processo criativo e aqui você vai apenas mostrar como você organizou as ideias que te inspiraram. 

Passo 4 – Liste tudo que a marca não é

Todo briefing que se preze deve perguntar tudo sobre o que o design da marca deve ser, mas principalmente, o que não deve ser. Isso vai te ajudar a não cometer erros básicos na escolha da linguagem, transmitida pela simbologia, tipografia e cores que você definiu no projeto.

Exemplo: se foi dito que a marca não poderia ser informal, eu jamais poderia usar uma tipografia irregular. De mesmo modo que se a personalidade da marca não pode ser brincalhona, não faz muito sentido eu usar muitas cores.

Passo 5 – Reforce o motivo ou problema que gerou a necessidade do projeto

Toda projeto é motivado por um problema, necessidade ou dor e em design não é diferente. Se seu cliente te procurou para criar uma nova identidade visual, alguma expectativa existe. Seja para dar uma modernizada, reafirmar uma mudança de posicionamento, passar a imagem de evolução, corrigir limitações de aplicabilidade com a identidade atual, etc. 

Junte tudo que o cliente relatou e o que você identificou com seu olhar técnico. 

Passo 6 – Fale sobre as técnicas que você usou

Se no seu design tem degradê, por exemplo, fale um pouco dessa técnica, vantagens do uso e mostre algumas marcas que fazem bom uso dela. Ou se você seguiu uma linha mais simples e minimalista, vale a pena mostrar que é uma tendência e exemplificar também. 

O mesmo se aplica se você vai usar apenas tipografia, monograma, sobreposição de cores, espaço negativo, etc. Assim quando você for mostrar seu trabalho e explicá-lo, não correrá o risco de falar de algo que só você saberá do que se trata. Isso é muito ruim. Além disso, vai fazê-lo lembrar de marcas que ele conhece e que usam as mesmas técnicas.

Passo 7 – Explique o conceito e a fonte de inspiração

Fale um pouco sobre a linha que você seguiu. Quais elementos ou palavras-chave te deram a direção criativa. Valorize sua pesquisa!

Liste os motivos que fizeram você decidir seguir por este caminho e porque o resultado que você vai apresentar em instantes, supre todas as expectativas e, principalmente, é exatamente o que o negócio dele precisa. 

Nessa hora você pode ilustrar com imagens, gráficos, símbolos, resultados de pesquisas ou qualquer outro elemento que possa reforçar o entendimento do que você está explicando.

Passo 8 – Apresente o design

Finalmente o grande momento! Seu cliente já está bastante envolvido com toda sua apresentação de identidade visual e provavelmente já está ansioso pra ver o resultado dessa incrível história que você acabou de contar. 

Antes de abrir as cortinas e revelar o Gran Finale, descreva-o de tal forma que seu cliente tentará visualizar o resultado com a imaginação. Faça como se estivesse falando pra um daqueles desenhistas de retrato falado. 

Fale das cores, justificando tecnicamente a escolha e cada uma delas. Quais sentimentos elas transmitem e como vão contribuir com a construção da marca. 

Fale da tipografia e porque foi a melhor escolha para o projeto. Se tem serifas, se é em caixa alta, manuscrita, gótica, etc. 

Eu chego até aqui sem mostrar o resultado final, porque gosto de instigar bastante a imaginação do meu cliente. No máximo eu mostro um sketch ou partes do design separadamente, como um teaser. 

Uma coisa que aprendi também, foi que ao invés de apresentar a primeira imagem do logotipo na forma natural, chapada, impacta muito mais mostrar uma simulação de uma aplicação real. Veja o próximo passo. 

Passo 9 – Crie mockups incríveis

Aqui é onde o cliente deve conhecer o design da sua marca e você não pode economizar esforços para que, de tudo que ele viu na sua apresentação de identidade visual, seja um verdadeiro fechamento com chave de ouro. Complementando e confirmando tudo que ele viu e imaginou.

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Impressione-o com simulações tridimensionais, o chamados mockups. Representações super realistas de aplicações da nova marca, como por exemplo: cartões de visitas, camisetas, canecas, recorte em aço do logo aplicado numa parede, assinatura de e-mail, embalagens, envelopamento de veículos, etc.

Com uma pesquisa simples e rápida no google você consegue encontrar muitos desses mockups em PSD editável e se tiver um pouco de noção de objeto inteligente, perspectiva, luz, sombra e alguns efeitos de filtros, é possível criar seus próprios mockups a partir de fotos, utilizando o Photoshop.

Passo 10 – Agradeça

Nessa hora você com certeza já sabe do veredito, porque o cliente sempre dá sinais, mas não pergunte se ele gostou ou não! Isso pode transmitir insegurança.

Agradeça e diga como foi importante pra você poder fazer parte dessa história, que espera que tudo tenha ficado claro e feche com algo do tipo: “Consegui transmitir com clareza?” ou “Ficou alguma dúvida?”.

Deixe o cliente falar e caso haja algum tipo de crítica ou observação, não rebata enquanto ele ainda estiver falando. Quando puder falar, volte aos pontos mencionados e se necessário for, lance mão da defesa. Faz parte do processo.

Pela minha experiência, uma boa apresentação valoriza o trabalho e aumenta, e muito, as chances de aprovar o projeto.

Espero que minhas dicas possam te ajudar. Conte alguma experiência bacana aqui nos comentários 🙂

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Fundador e colunista do Blog Design com Café e Cofundador da Azys Inovação. Publicitário com quase duas décadas de experiência em design gráfico, consultoria em marketing, comunicação e treinamentos. Experiência em branding, criação de produtos, UX e UI. Já empreendeu nas áreas de sites e sistemas, educação a distância e nutricosméticos.


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