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Medo dos sobrinhos? Você pode estar no caminho errado

Por 15 de maio de 2018Freela e Startups
Sobrinhos - Huguinho, Luizinho e Zezinho
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Prostituição do mercado, concorrência desleal, jogo sujo e banalização da profissão. Essas são as principais atribuições aos famigerados sobrinhos. Mas será que eles são, mesmo, tudo isso ou esses termos são apenas desculpas que usamos para justificar a nossa insuficiência?

Atenção! Este texto contém palavras de grosso calibre que podem ferir seu ego. Continue por sua própria conta e risco (e não me odeie por isso). Vamos falar dos sobrinhos 🙂

Quando sentei pra escrever este texto, meu objetivo foi de provocar e para tanto quero começar fazendo uma pergunta, que talvez você já tenha até lido por aí: Você por acaso já ouviu a Coca-Cola reclamando porque a Dolly vende mais barato? Já parou pra pensar que o mercado precisa tanto de uma quanto da outra? Até porque quem compra Dolly, provavelmente não é consumidor da Coca Cola. Elas não são concorrentes.

Sobrinhos - Coca-Cola X DollyDe onde surgiu o termo sobrinho?

A história é velha, mas ela se repete todos os dias. O cliente pede um orçamento de design/criação, seja um logo, um site, um folder… E dias depois te retorna dizendo que preferiu dar oportunidade para seu sobrinho “fera no Corel”, que cobrou um valor 10x menor que o seu ou fez de graça mesmo, quebrando todas as possibilidades de negociar e competir.

Mas “não te desanimes”. Eu, mesmo, já passei por uma história engraçada assim. Certa vez eu orcei uma identidade nova para uma empresa que estava pra completar 17 anos e no dia seguinte eu recebi a seguinte resposta. Segue o diálogo:

– Cliente: Jaider, muito obrigado pela sua atenção, mas eu pedi pra minha norinha fazer, rs. Ela nem vai cobrar.
– Eu: Que legal! Quanto anos ela tem?
– Cliente: 17 anos.
– Eu: Nossa… mesma idade da sua empresa, ne?
FIM

Sobrinhos - Ken ShoryukenMas eu gostaria de ter finalizado assim oh:
Quando ela nasceu, eu já estava fazendo design.

 

Atire a primeira pedra quem nunca foi um sobrinho

Quando iniciei no design em 1999 (não, não sou velho), meu primeiro projeto de “logomarca” (era assim que eu chamava) custou para o cliente nada mais, nada menos que 100 reais. Cara, eu fiquei muito feliz! Com certeza eu seria chamado de sobrinho nos dias de hoje, mas na época eu me achava “o cara”.

As ferramentas eram bem precárias. Meu pacote (não adobe) era: Macromedia Fireworks, Macromedia Flash e Microsoft Front Page. Corel, eu só fui conhecer muito tempo depois e sou muito grato a tudo que ele me proporcionou, mas daí conheci o Illustrator <3.

As informações não eram tão acessíveis quanto hoje e não tínhamos muitas referências. Tutoriais no Youtube? Inspiração no Pinterest? Behance? Logopond? Google Imagens? hahaahah. Quantos CDS de tutoriais eu comprei nas bancas de revistas e quantas vezes recorri ao famoso “teclar F1”, que era o único HELP que você tinha. Uma espécie de manual e que nem sei se isso existe ainda.

Eu arrisco em afirmar que quando você começou, sua capacidade técnica e talento não eram nem perto do que é hoje. Então meu caro, você também já foi um sobrinho e provavelmente já cobrou muito menos. É assim que começamos.

Quando você perde um cliente para um sobrinho, você deveria agradecer, porque, provavelmente, este cliente seria uma baita dor de cabeça. Agora se você ainda sente a dor dessa perda e anda reclamando nas timelines da vida digital, talvez você não saiba, mas você ainda é um sobrinho também, afinal, sobrinhos só competem com outros sobrinhos.

Se você chegou até aqui e sentiu que esse texto é pra você, talvez esse último parágrafo tenha te deixado pu#$, mas continue lendo que vou explicar como virar esse jogo 🙂

 

A liga dos sobrinhos. Eles não estão sozinhos

Sobrinhos - Sindrome (vilão de Os Incríveis)

Não estamos falando apenas do indivíduo que cobra barato, acha que sabe das coisas porque viu muitos vídeos no Youtube e faz tudo sem metodologia e sem conceito. Vamos lembrar aqui de todos os personagens que podem ser acusados de praticar a tal concorrência desleal. E destacar a principal de todas as ameaças e que muitas vezes passam despercebidas, aquelas ferramentas online, que se multiplicam a cada dia. Elas são gratuitas ou muito baratas e vieram ao mundo com a missão muito clara: empoderar o seu cliente para que ele mesmo crie o que precisa.

Nesta liga dos sobrinhos estão as comunidades de designers, como Wedologos, 99 Designs, Freelancer, 99 Freelas e outras; as gráficas rápidas que, às vezes, nem cobram pra criar o “logo” e arte do cartão do cliente; as ferramentas online como Canva e Wix, dentre outras.

E nem te conto tá? Do jeito que anda evoluindo as ferramentas de postagens do facebook e Instagram Stories, permitindo aplicar backgrounds, cores, tipografias diferentes, gifs, stickers… eu não contaria por muito tempo com aqueles clientes que pagam você para criar as artes das postagens.

 

Pare de gritar e melhore seus argumentos

“Mas eu sou formado na Faculdade de Design de Massachusetts Ohio”

Um belo argumento, mas o seu diploma não garante qualidade do seu serviço e seu cliente sabe disso. Eu não estou criticando as faculdades, até porque eu sou formado. Mas eu já vi muitos profissionais “tops” que nunca se formaram em nada do gênero e também ví colegas que formaram comigo, irem para segmentos bem divergentes do mercado ou atuarem sem nenhuma ou pouca qualidade.

Seu diploma é muito importante, sim, mas nunca pare de aprender e se aperfeiçoar ou será sempre um jovem na profissão. Não vai crescer.

Sobrinhos - Peter Pan

Busque sempre mais e mais diferenciais, se profissionalize, faça seu marketing pessoal, melhore sua postura, abuse da linguagem corporal, aprenda a negociar, treine seu cérebro, inspire-se constantemente, crie (e mantenha atualizado) seu portfólio e tão logo a preocupação com a liga dos sobrinhos irá diminuir.

 

Profissionais excelentes atraem clientes excelentes e, cada vez mais, clientes estão priorizando valor a preço. Em outras palavras: a qualidade é mais importante que o quanto ela custa.

Sucesso!

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Fundador e colunista do Blog Design com Café e Cofundador da Azys Inovação. Publicitário com quase duas décadas de experiência em design gráfico, consultoria em marketing, comunicação e treinamentos. Experiência em branding, criação de produtos, UX e UI. Já empreendeu nas áreas de sites e sistemas, educação a distância e nutricosméticos.


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